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Mulheres jornalistas recebem o dobro de ataques no Twitter, aponta estudo

Por Redação

06/12/2021 às 18:15:53 - Atualizado h√°

A conclus√£o faz parte de um estudo de 200 perfis de jornalistas brasileiros na rede social que busca compreender os padr√Ķes de ataques a eles em ambientes digitais, com foco em quest√Ķes de gênero e ra√ßa.

O trabalho foi feito pela Revista AzMina e pelo InternetLab, junto com Volt Lab e INCT.DD, com apoio do ICFJ (International Center for Journalists).

Foram identificados 7,1 mil tuítes com conteúdo ofensivo em 133 perfis de mulheres e 67 de homens jornalistas, a partir de uma amostra com mais de 8 mil posts publicados de 1¬ļ de maio até 27 de setembro deste ano.

A an√°lise concluiu que as profissionais que atuam na cobertura política s√£o mais expostas aos ataques nas redes sociais.

Enquanto os jornalistas homens receberam 8% de mensagens hostis, as mulheres receberam 17% de tuítes com ataques.

Características físicas, assim como a idade, rela√ß√Ķes de parentesco e histórico das profissionais s√£o mencionados por agressores, que questionam ainda a capacidade de an√°lise das profissionais.

As ofensas contra as mulheres também foram identificadas nos coment√°rios enviados aos profissionais homens, que incluíam xingamentos direcionados a familiares do gênero feminino.

No ranking elaborado pelo estudo com os dez profissionais mais ofendidos, seis s√£o mulheres.

A lista é liderada por Eliane Cantanhêde (O Estado de S. Paulo), seguida por Vera Magalh√£es (O Globo e Roda Viva).

As jornalistas Miriam Leit√£o (O Globo), Daniela Lima (CNN Brasil) e Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo), aparecem em 4¬ļ, 5¬ļ e 6¬ļ lugar, respectivamente. A blogueira Cynara Menezes (Socialista Morena) foi a 9¬™ profissional mais ofendida.

J√° no ranking só de jornalistas mulheres mais atacadas, além dos nomes acima, aparecem ainda Natuza Nery e Andreia Sadi, ambas da GloboNews, Mariliz Pereira Jorge (Folha de S.Paulo), Rachel Sherazade (Metrópoles) e a cineasta indígena Sandra Terena.

A jornalista B√°rbara Libório, gerente de projetos da revista AzMina e uma das coordenadoras do estudo, afirma que, além de ofensas sobre um suposto posicionamento político, foi possível notar uma linha de ataques misóginos, focados na aparência das mulheres, em sua capacidade intelectual e em suas rela√ß√Ķes afetivas.

Também foi possível identificar ataques de cunho racista, com a palavra "preta" sendo usada de forma pejorativa pelos agressores.

"Assim como em todos os outros temas, quando vamos falar de gênero existe uma interseccionalidade, um recorte de ra√ßa. Vimos tuítes que tentavam desqualificar as mulheres negras, como se elas só estivessem no cargo onde est√£o porque s√£o negras", diz.

Libório acrescenta que v√°rias jornalistas também receberam ofensas por causa da idade.

Identificar os perfis respons√°veis pelos ataques foi uma dificuldade relatada pelas profissionais mais atacadas.

"Elas falaram isso de sentir que s√£o ataques orquestrados muitas vezes, mas tem aquela dúvida: quem vou processar? Para quem reclamar? porque muitas vezes eram perfis que n√£o pareciam verdadeiros."

Embora os ataques sejam feitos por grupos de diferentes espectros políticos, quando o conteúdo ofensivo era publicado ou compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e outras figuras políticas, o ataque era ainda mais violento.

Aos autores do estudo o Twitter informou que tem políticas para remover conteúdos que violem as políticas da plataforma, assim como regras para endere√ßar tentativas de manipula√ß√£o do debate na plataforma, seja via spam ou contas falsas.

A rede social também afirmou que faz uma revis√£o periódica de suas políticas para incluir categorias no que chama de linguagem desumanizante.

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