Entrevistado da TV Cultura, Mandetta diz que Brasil pode ter ‘megaepidemia’ se nova variante do AM se espalhar

Brasil

Luiz Henrique Mandetta, que deixou o cargo de ministro da Saúde em abril de 2020 após divergências públicas com o presidente Jair Bolsonaro acerca das medidas de prevenção contra a Covid-19, foi o entrevistado do programa Manhattan Connection, da TV Cultura, onde alertou para o risco do Brasil viver uma ‘megaepidemia’. A possibilidade foi levantada tomando como base a variante do novo coronavírus, identificada em Manaus. Para Mandetta a variante pode provocar um agravamento do quadro epidemiologico no país.

O ex-ministro, destacou que a transferência de pacientes manauaras, que vem ocorrendo em razão do colapso hospitalar no Amazonas, pode fazer com que a variante chegue a outros estados, caso os devidos cuidados não sejam adotados.

“O mundo inteiro está fechando os voos para o Brasil, e o país não só está aberto normalmente, como está retirando pacientes de Manaus e mandando para Goiás, Bahia, outros lugares, sem fazer os bloqueios de biossegurança. Provavelmente vamos plantar essa cepa em todos os territórios da federação, e daqui a 60 dias podemos ter uma megaepidemia”, afirmou Mandetta.

A mutação brasileira, batizada E484, foi identificada no Rio de Janeiro e em variantes em Manaus, como a B.1.1.28, detectada em japoneses que estiveram no Amazonas. Ela altera o RDB, o ponto da proteína S em que o Sars-CoV-2 se liga às células humanas. As mudanças genéticas podem causar o chamado mecanismo de escape, ou seja, quando os anticorpos desenvolvidos contra o Sars-CoV-2, que atacam o RDB, perdem sua especificidade. Esse processo pode influenciar a eficácia de vacinas.

A variante já foi detectada em diferentes países, como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, e em vários estados brasileiros. No Brasil, no entanto, o sequenciamento genético necessário para monitorar mutações do Sars-CoV-2 é um desafio, como mostrou reportagem do GLOBO neste mês.

*Com informações: O GLOBO

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